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50 anos de José Hamilton na Guerra

Uma homenagem ao Dia do Jornalista

Hoje, 07 de abril, é o Dia do Jornalista. Existem muitas histórias sobre esta profissão, que acompanha a humanidade desde a criação do primeiro modelo de jornal, em 1650. Muito tempo, né? É a partir das matérias publicadas por estes profissionais que temos noção e conhecimento do que está acontecendo pelo mundo, no país em que moramos e na região onde vivemos, compondo, assim, opiniões do público em relação à nossa realidade.

E falando em realidade, como não citar uma das maiores revistas brasileiras já publicadas?

Foto/ Reprodução

A Revista Realidade foi fundada pela Editora Abril, em 1966, e circulou até 1976. Trazendo as novidades do “New Journalism”, um misto de jornalismo com literatura, ela inovou em todos os sentidos, inclusive no design gráfico incomum e na fotografia, colocando em cada capa e ilustrações dos conteúdos uma essência do fotógrafo e, claro, do fotografado. É neste cenário onde nasce um dos mais notáveis episódios do jornalismo brasileiro: em meio à Guerra do Vietnã.

Há 50 anos, o jornalista José Hamilton Ribeiro foi enviado como correspondente internacional da revista ao conflito entre vietcongues e estadunidenses. Com o objetivo de cobrir a guerra pelo olhar do Vietnã do Norte (comunistas) e Vietnã do Sul (apoiado pelos americanos, capitalista), mal sabia ele que sua mais conhecida obra sairia dos campos minados do leste da península da Indochina, o Vietnã do Sul.

Na biografia “O Gosto da Guerra”, publicada pela primeira vez em 1969, Ribeiro narra toda a realidade presente naquele cenário de destruição, como a vida dos soldados americanos, dos jornalistas cobrindo os acontecimentos, as vítimas dos ataques, entre outros. Ele estava no seu último dia de cobertura, quase retornando ao Brasil, quando o fotógrafo japonês Keisaburo Shimamoto o convenceu a ficar para uma última pauta.

Os EUA promoveria uma ação de “limpeza” na Aldeia Sem Alegria, em Quang Tri, e emendaria em um ataque aéreo a uma colina de vietcongues. Caminhando pela Estrada sem Alegria, Ribeiro pisa em uma mina terrestre e perde a perna esquerda. É nesta hora que ele sente o “Gosto da Guerra”, uma mistura de terra, pólvora e sangue. Ele demorou meses para retornar ao Brasil depois disso, por conta de várias peregrinações de hospitais entre Vietnã, Tóquio e Chicago.

Foto/ Reprodução

Segundo José Hamilton, em uma entrevista para o Guia do Estudante, em 2008, Shimamoto estava procurando um momento emocionante, a fotografia perfeita. “Não senti nada. Só um tempo depois, notei que tinha sido comigo e vi o Shima me fotografando. Tinha perdido a perna. Era a foto emocionante de que ele precisava”, diz Ribeiro. Foi sorte? Jamais.

Nada mais justo do que utilizar uma história emocionante como esta para homenagear o dia do Jornalista, certo? E você, já leu um jornal hoje?

Heloise Meirelles
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